Porquê instante?
Não podes ser incessante?
Paixão é genuína no escuro,
Entre aqueles tímidos de a aceitar.
Vou amar e soidar e prezar
Cada momento, o mais seguro,
E depois acabo por dissipar.
O que sinto
É possível descrever?
Sintomas talvez
Deleita-me estar contigo
Até em silêncio
O mesmo do teu riso e impaciência,
Desculpa que já deves conhecer.
País de permanente fantasia
Em que habitas, tento por vezes
Sabê-lo como criança curiosa
E por vezes damos folias
Como grandes crianças que ainda somos
Não sei deveras que nome tem
Tudo isto e mais, que em mim se mostra por ti
Chamei-lhe prematuramente “gosto de ti”; desculpa
Há sim, parte que incita esse desejo
Quando a outra se interroga se será apenas pecaminio físico
Sendo uma intima relação amiga, e nada mais
Será atrevimento: sentires-te idêntica?
Algo em mim me diz. Se é sexto sentido ou fé nem sei
Queria era esclarecer e perdoares-me a comunicação
Creio na maior assertividade da escrita
Para o nevoeiro que não avisou da sua chegada
Nem quando a sua partida
Faz-me miúdo novamente
Tão familiar, quão estranho
A lição nunca é aprendida
E no entanto, encanto-me