Estive a trabalhar para não existir.
Numa terra que, é caótica,
Compreendo. Não preexistir
Algo vero ao alcance da óptica
Par quê então insistir?
Numa bélica semiótica
De certezas a colidir,
Estive a trabalhar para não existir.
Nem se sabe, como é fingir
Coisa na moderna retórica
Visto ser nato o esculpir
Duma íntima regra teórica
Que poucos hão-de sumir
Estive a trabalhar para não existir.
Asnada será? A descobrir
É lata a crença na auto-glória
Dever da subjectividade suprimir
Pensar na detenção da vitória
Salvação dos outros: ser Eu a corrigir.
Estive a trabalhar para não existir
Pois no fim irei diluir
Neste mundo que do irmão é fóbico.