sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Para _________________

O que significa Natal?

O nascimento de Cristo

É certo para os católicos

Mas... e para o mundo?

É, sem duvida, um momento de mudança

Uma mudança cíclica, correspondente a todo um processo de gestação.

Corresponde sim, à altura mais negra do ciclo, um “fim”, se considerar o negro como um fim. Mas também é um início, pois não haverá outra altura negra (pelo menos até ao próximo ano). É também um início, ou pelo menos uma expectativa de um novo início, um “nascimento” da luz/claridade.

Este ditado tanto dá para crentes como ateus, basta um pouco de perspectiva, mas criticamente é talvez um dos momentos do ciclo que tem destaque globalmente através dos tempos (isto considerando claro o relativismo hemisférico, que ao fim e ao cabo acabo por ser uma diferença cronológica de meio ano).

Um momento significante na humanidade, um momento simbólico e, em ultima instância, social. Claro está que nem todos, ou melhor a maioria, não reflecte nisto diariamente, pelo menos. É uma questão prática, talvez, e também uma questão de renegação às tradições/costumes, muito fomentada por cada nova geração. Mas à que considerar que essas mesmas gerações são fruto da “antiquada” tradição (quer ela tenha milénios ou apenas meros anos) e apenas se pode afastar dela renegando-a, o que por si só é já um grande contributo da tradição.

Vive-se numa altura de grande afluência de informação, maior do que alguma vez se viu, e menor do que alguma vez se virá. Neste instante em que se vive as dualidades entram em conflito, a globalização impessoal, que inadvertidamente oblitera as diferenças culturais e uma individualidade pessoal que afasta inadvertidamente os ideais de comunismo humanitário e cria estratificações estanques. Nesta batalha intelectual (e física) por vezes devemos individualmente e em conjunto parar e dar um passo atrás para meditar, reflectir, analisar ou rezar.

Escolhi este momento Natalício para fazer isso mesmo, reflectir o que é que este momento, como milénios de tradição e simbolismo (além de deturpados e alterados com os 10€), manifesta em mim.

É pelo menos um momento desigual, onde a tradição ditou que seguisse determinados valores e condutas.

Religioso ou não é sempre Natal, uma época que devia ter um impacto simbólico na Humanidade, nem que isso significasse a ignorância.

O Natal é para ser comemorado, quais quer que sejam os motivos, quais quer que sejam as tradições, Feliz Natal.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Velha

Tentei explicar-lhe e aconselhar a usar roupas mais confortáveis argumentando com as suas atrozes, a sua bengala e o seu esforço por equilíbrio em saltos altos.

Sorrio e apenas me responde:
"quando traíres a tua mulher, ela que venha falar comigo."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acorda-se, depois de uma chorada noite nostálgica, com cara de uma certa vergonha, vergonha apática, de tão falível e fraca consciência, consciência tão díspar da realidade que apenas a amanhã a realiza: é miserável.

domingo, 14 de novembro de 2010

Procura-se

Procura-se por alguém

Seguramente irreal

Aquela que desperta

Assombro no homem

Incertamente prostrado


Intensamente busca-se

Alguém por quem o Homem

Perdeu fé, na sua negra conduta

No diário da bonita crosta


Pede-se a alguém

Que exista esse alguém

Por quem não terei

Pânico de mim


Será mesmo que...?

Existes, alguém complementar

Ou dita o fado: estarei com outro alguém

Apenas por remédio e oportunidade

domingo, 31 de outubro de 2010

Amante do Lago

Em tempos idos...
Iludidos maiores
Víamos lugares queridos
Intimo e elementar
Cria só eterno

Nosso sítio,
Mapa apenas de coração
Mas sempre estavas lá
Em sombrio lago
Escuridão reconfortante
Para íntimos platónicos

Agora, carvalhos vazios rodeiam-no
Outrora pulsante, névoa inóspita
Ocupa recantos, antes recordados
Por dedicados apaixonados
Silenciados no abrupto vazio

Mágoa ausente, invade as memorias
Ateu crescente e consumido
Certo de querer crer, mas falhar
E com isto ele dilata
Para um futuro, agora
Mais cinza que a fantasia

domingo, 17 de outubro de 2010

Olhos que me matam para nunca mais ser o que viram. Em terras ermas um sorriso vil acrescenta-se à lagoa de suspiros e queixas que ingratos narizes expiraram para bocas desejosas de fofocas berrantes em disfarce a donzelas em obesidade mórbida, tuberculosas nas suas pernas.

Entre as mais diversas grades apresentando uma espontânea dor melancólica de livre prisão os olhos são portadas abertas para os recantos obscuramente maquiavélicos de todos os que afectem com tais fantasias idiotas que se contam a memórias moribundas no seu leito fadista no qual morreram os renascidos das fétidas cinzas da fénix de jade negra em putrefacção com carcaça e miolos em larva viva, tão viva que nada do que exista no cosmos seja tão grandioso como o vórtice que há em clara gaivota pairando em negro céu...

clara gaivota pairando em negro céu...

clara gaivota pairando em negro céu...

negro céu pairando em clara gaivota...

negro pairando clara gaivota em céu...

clara gaivota em negro céu...

gaivota pairando...

clara céu...

em negro...

Gaivota...

Céu...


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Quem és?

Difícil a memória

Para tanto e tão pouco

Em rubra estação

Onde estamos?


Lembrança de seres amada

Está, agora, insossa e repete-se

A pergunta em variadas formas

Tabus receosos talvez

Nas maleitas que se acredita


Vieste, tão ligeira como te ausentaste

E assombras a visão

No entanto, sem te olhar

Ao certo. Será soidade

De tempos já idos

Quem saberá?

Era o meu dever

Mas falhei

sábado, 22 de maio de 2010

Campo Expandido

Nesta falta de fé
Bóio em águas negras
Sigo correntes e vento
Sem razão, a noite cega-me

Sou interrogação entrementes
Núcleo cinza, legítimo ou colado?
É me sonhado que sou peça
Neste puzzle, o Cosmos.

A mancha converte na abstracção
Sei quem sou, porém cato incessável
A sabedoria do meu ser, crido genuíno.
É dura a indagação, os âmagos carpem (por vezes.)

E no meio desta tempestade
Tu revelas-te, tu exclamação.
Vincada no teu ser, defines-me.
Sou o campo, sou tudo, sou nada...
Sou xu, tu fu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

ERROR_?

Quem sou? Repito
E multiplico
Aos vultos reflectidos
Na cidade de vidro

Não é narciso que olha
Ante o estranho mudo
Antes uma interrogação
Para o seu embrulho

Serei sempre assim?
A busca do saber
Do meu ser
Mas o silencio é esperado

A vontade faz-me?
Ou será a suposição?
Quem faz? Quero ser!
O quê? Não sei

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pujança para quem nos falta;
Amar quem nos ama;
Sem muito querer saber.
Lei da vera emoção

Não há ilusões nesta fantasia,
Na nossa privada fantasia,
É dura e confusa.
Dela nascerá o fruto
Inesperado por todos.

É simples na verdade:
Somos sós e complementares
Estima isto que temos
Enquanto arrisco a chama

segunda-feira, 22 de março de 2010

Desentendimento

Conflito surdo,

Aquele entre pares

Aquele que tanto destrói

As necessidades são feitas tristes.


No processo, vil, acumula-se

Azedume e magoas e que tais

Se silêncio prevalece, há de tudo

Demolir!


Mas se o quebrarem?

Quem sabe o que podem,

Calma e compreensão

De milagres e curas são capazes


O mundo parece distante

Pessoa ausente nada temas

Paixão adormecida voltará

Se abrires as portadas

Àqueles dignos de a transporem

sábado, 6 de março de 2010

És grande tentação
Aqueles fracos de espírito
Negro momento do esquecido
"Nada tem réplicas"

Terás razão para assim seres?
Enquanto o ódio te consome
A culpa do amanhã e, por fim,
O desespero dos inúteis!

Vai-te para longe! Bem Longe!
Criança birrenta, não há pais para ti
Anos somam-se, mas tu insistes
Põe-te no caralho!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Caminhamos todos
Com passar diferente
Os sentidos dependentes
O lobo esfaimado!

É alegria, é tristeza,
escolham, o tempo vai...
Tem fundo? Constroi-se
Durante é que vale.
Sem lágrima e riso
Somos ocas crianças.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fénix

Traduz-se finalmente

No dedo dianteiro

Fogo ante escuridão.

Reacende-se, cinzas

Previstas mortas,

Sem mais fé

E contudo parece

Brilho mais rubro

Pulsar mais brilhante

Será possível?

É sabido o Sol

Mas sempre há

Um Novo Amanhecer!

Esse beijado, pois

Vontade de bela

Orbe pálida, vai dormir!

Quero é ardor de quem morre.

Quem sangra! Quem nasce!