quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Êxodo


Apartei-me sem dó

Com mágoa e desencanto

De, talvez, nenhuma igual

Fortuna o ditou, quero crer


Os dois, enfim… sonhos

Era o que respirava(mos)

Insuficiência para a vida

E a Vera chamou por mim


Quanto mais permanecia?

Quanto mais não agia?

Haveria um fim?

Ou ser à mercê do espírito?


Foi-se a era cândida.

Tudo em harmonia

Para um final glorioso

E uma árvore a nascer


Nada esquecerei

Mais uma cruz em peito

Virá, em sorrisos e esgares.

Uma projecção incontrolável, talvez…


Foi imperativo

Agressividade necessária

Lágrimas sujeitas

Num silêncio funesto


Amargo-me em mim

Com tal flagelo

Causado aos inculpados

Na tormenta enjaulada


Assim se fez o êxodo

Nas terras ermas

Desespero por abrigo

Enquanto deixo morrer

O pulsar do coração.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Unha

É a unha!
Ora, seja ventura vê-lo, meu amável amigo.
Vaca d'unha! Puta de unha!
Ora, tenha tento no verbo, meu bom homem.
É a unha! É a merda da unha!
Ora vamos, um pouco de corteja com o colóquio.
Foda-se pá unha! É a unha! A unha!
Ora, tende mais brio ao declarar seu espírito.
É a cabra da unha! Filha da puta de unha, do caralho!
Ora, não nos desunamos da cordialidade da boa retórica.
É a unha!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cigarro

Em ruins sombras

Amores que nunca serão

Angustias dos labores

E incompreensão do próprio

Há momentos de perversão

Em que a tenção é nada acontecer

E outras, essas, insanidades

Uma oportunidade para apagar

És mesquinho, é sabido

Mas o único a compreender

Sem perceberes, reconfortas

Com a arte de pespegares

Acalmas as tormentas

E acabas por seres uma

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Right Where It Belongs

See the animal in his cage that you built
Are you sure what side you're on?
Better not look him too closely in the eye
Are you sure what side of the glass you are on?
See the safety of the life you have built
Everything where it belongs
Feel the hollowness inside of your heart
And it's all...
Right where it belongs

What if everything around you
Isn't quite as it seems?
What if all the world you think you know
Is an elaborate dream?
And if you look at your reflection
Is it all you want it to be?
What if you could look right through the cracks?
Would you find yourself...
Find yourself afraid to see?

What if all the world's inside of your head
Just creations of your own?
Your devils and your gods
All the living and the dead
And you're really all alone?
You can live in this illusion
You can choose to believe
Keep on looking but you can't find the woods
While you're hiding in the trees

What if everything around you
Isn't quite as it seems?
What if all the world you used to know
Is an elaborate dream?
And if you look at your reflection
Is it all you want to be?
What if you could look right through the cracks
Would you find yourself...
Find yourself afraid to see?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quando agora é negro
Antes mais brilhante
Mas a previsão nublada
Que faço à meia-noite?

Desânimo sonolento
Instigam à cama
Sem pilares
De que valem sonhos?

Produz! Produz! Produz!
Para quê? Para quem?
...
E eu?

sábado, 28 de novembro de 2009

Foto Grafia

Ao ver-nos
Parvo sorridente
Com uns olhos verdes
Certa paixão
Que velhos seriamos

Ainda mal caminho
Certamente nem idade
Para promessas
E mesmo assim...

Necessidade de sentir
Mais do que coisas
Que aqueles que estão
Não se perderam
Ou então dar
Um inerente final feliz

Coisa simples
Novo ímpeto trouxe
Estou pronto
Ficar velho a teu lado

É egoísta
É infantil
É irresponsavel
Mas não é menos verdade

Neste segundo, minuto, hora
Sei o agora
Não antes nem depois
Quero-te para a vida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Voo

(Para uma espiga de trigo)

Lembraste? De me ver
De dois anos passados
Na tua companhia
Lembra isso.

O andar é teu
E a companhia sou eu
Ao virar paginas
Fechas a porta
E decides-te por outra

Continuas a mesma
Oito ou oitenta
Cresces e aprendes
Com as migalhas deixadas

No teu lado, sem lugar
É difícil não pensar
Coisas que deixam de ser
São vidas que as tomam

São as tuas vidas
No fundo, uma só
Causou-te dor
Prazer também

Mas assim foi
E se de outro modo
Os meus parabéns
Nada seriam.

Vivamos a vida então
Tal como assinado
Três julgamentos
E um só renascimento

Para algo que…
Serás tu a preencher
Por quem te acompanhar
Dois anos mais
(Espero ser)

Mais seria demais
Apenas que somos
E estamos agora
Almas dizem o resto

Dois pontos e fecha parêntesis.

sábado, 21 de novembro de 2009

Passagem

A estranheza é sempre uma constante
Quando visita-se os recantos do passado
E que tais, suspiros e sorrisos causados
Transparente antes, o mais opaco torna-se
O arrepio ou um rubro renasce
Diferente talvez, mas sem se pensar
É mesmo aquilo, nada mais

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SOL

Renascer, nascer
És ancião e contudo
Dou-te graças
Dos recém-nascidos,
Não apenas eu,
À sua maneira,
A tua prole também o dá
Grande fogo!
Teus filhos te saúdam
Após tempos gélidos
Sem a tua presença
Fazes a vida voltar
Tudo em redor explode
Cores, sexo e alegria
Após a triste e cinzenta melancolia
Nos tempos em que és verde,
O mundo também o é
Uma frescura e pudor vibrante
Própria dos infantes e apaixonados
Mas é efémero…
Mas é vida!
Quanto ela durar não importa
Tudo se vive para uma alegria
Pura e sem sentido
Vive-se numa constante orgia
Curta, mas simples de propósito.
Tua mulher, negra e querida
Para todos nós, é o palco
De todo este pudor
Com a tua penetrante luz
Num útero macio e fértil
Dás a vida, ainda novo
Oh Grande Ancião!

domingo, 4 de outubro de 2009

BreakUp

Num olhar sem ver
A nostalgia veio
Num acaso de espiga
Que no subconsciente marcou

O olhar permaneceu distante
A ver um futuro passado
Algo que chegaria a existir
Se tivesse havido outro algo

Mas é o que aconteceu
Além dos lamentos
Foi assim um momento
Inesquecível…

Acabou, por continuar
Não da mesma forma
Porque… porque…
Sabe-se lá!

Éramos felizes? Sim
Somos? Não sei bem
E depois? Esperamos ser.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Raro

És coisa rara
E agarro-me a ti
Como ar que respira
Em constante pensar
Antes te acompanhar
E tu também o podes
Ao meu lado, voar…

És possível, com amor
Inconstante num fulcro de vida
Na verdade, todos o somos
Mas és pássaro e trigo
Para além de o ser.
Nada há para emendar,
Enquanto fé no puro em ti
Serás perfeita para os amados.

Ouvi que me pertences,
Além de nunca o ter aspirado,
Talvez um pouco,
Mas foi cabeça quente.
Preocupo-me realmente
Com o teu brilho
Que, enfim, queria eterno
Mas é a vida assim,
E guardo no meu cofre
Aqueles pequenos momentos
Em que tudo está bem.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os grilos cantam
Nunca se cançam
De parceiras procuram
E então os seus recriam
Assim como em Verões que vieram
Virão. Os grilos cantam.

sábado, 8 de agosto de 2009

Ode Passional

Como flama ardente
Sem no fazer quer dentro como fora
Fá-lo… sei lá onde, mas fá-lo tão melhor quanto o fogo.
Idiota quem o tem, Triste quem nunca o teve
Paira, como uma fé, não em Deus ou Iavé ou Maomé
Mas algo muito mais alto, talvez nem tanto,
Mas para os ceguinhos com certeza
Alto lá, perdoem os nomes, quiçá não sejam assim tão defes
(Além de não o parecer muitas vezes)
Afinal ainda têm a cabeça entre os ombros
E quiçá ainda tenham algum tino naquilo que fazem
Mas fazem-no! Na mesma não importa,
Agem como crianças, estúpidas e lamechas
E sabem! Cartas e poemas na falhada escrita shakespereana,
“Obras de arte” vergonhosas,
Canções romanticamente desafinadas,
Propostas dignas de série de comédia, …
E no entanto, o mesmo processo reinicia-se.
A desculpa é dos apaixonados, tornam à infância iludida pela fantasia do ser apaixonante
Tão fantástico, tão perfeito, tão irreal que…parece isso mesmo,
Fantástico, perfeito, irreal.
Mas não desfaçam esse estado, a não ser que tenham inveja… vá confessem
Todos o temos!
Deixem-nos, eles amam, eles vivem, eles choram, eles riem, eles querem, eles sacrificam, eles
São felizes… para sempre. Que piada! Pensam! Vá… nada é perpétuo,
Mas ao menos o momento é deles, e deles só, e q se roam os invejosos!
É nisso o que faz a máquina ferrugenta de tanta lógica e podridão científica, andar. Para trás, para a frente, cima, baixo, aos saltos de cabeça para o ar, do avesso, que se dane! É andar! É agir, é viver, é sentir! Com a cabeça a ferver de febre, borboletas na barriga, respiração descoordenada, peito a doer, língua a inchar, formigas na ponta dos dedos, pau e bicos feitos, hormonas em alta e cérebro inexistente, mas com todo o amor para dar e para receber.
E no final sabiam-no, desde o principio,
Mas nada fizeram, pois estavam apaixonados
A desculpa perfeita

terça-feira, 4 de agosto de 2009

"Birds"

Numa tal viagem
Que só cada um
Vultos de cores
Ou pretos
Passam velozes
Enquanto o céu e a ansiedade
Se mantêm connosco
Até ao fim

Mãos do céu
Trazidas por pássaros do vento
Estendidas para o destino as agarrar
Alguém fugitivo, sem raízes nos pés
Um bandido inocente, sem asas mas que voe

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Reunião

Refresco no sorriso
Sem deixar soidade
Vis inimizados
Outrora alegres
Tudo concretizou
A fala à muito muda
Olhares esquecidos
Sentimentos afogados
Num abraço mais que isso
Como não havia à tempos
Pareceu o primeiro
E mais bonito
Entre quem se amava
Anos e anos durou
E tão pouco foi
O abraço em laço

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Everybody's Free

Ladies and Gentlemen of the class of ’99
If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be
it. The long term benefits of sunscreen have been proved by
scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable
than my own meandering
experience…I will dispense this advice now.
Enjoy the power and beauty of your youth; oh nevermind; you will not
understand the power and beauty of your youth until they have faded.
But trust me, in 20 years you’ll look back at photos of yourself and
recall in a way you can’t grasp now how much possibility lay before
you and how fabulous you really looked….You’re not as fat as you
imagine.
Don’t worry about the future; or worry, but know that worrying is as
effective as trying to solve an algebra equation by chewing
bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that
never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm
on some idle Tuesday.
Do one thing every day that scares you
Sing
Don’t be reckless with other people’s hearts, don’t put up with
people who are reckless with yours.
Floss
Don’t waste your time on jealousy; sometimes you’re ahead, sometimes
you’re behind…the race is long, and in the end, it’s only with
yourself.
Remember the compliments you receive, forget the insults; if you
succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch
Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your
life…the most interesting people I know didn’t know at 22 what they
wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year
olds I know still don’t.
Get plenty of calcium.
Be kind to your knees, you’ll miss them when they’re gone.
Maybe you’ll marry, maybe you won’t, maybe you’ll have children,maybe
you won’t, maybe you’ll divorce at 40, maybe you’ll dance the funky
chicken on your 75th wedding anniversary…what ever you do, don’t
congratulate yourself too much or berate yourself either – your
choices are half chance, so are everybody else’s. Enjoy your body,
use it every way you can…don’t be afraid of it, or what other people
think of it, it’s the greatest instrument you’ll ever
own..
Dance…even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don’t follow them.
Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.
Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for
good.
Be nice to your siblings; they are the best link to your past and the
people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go,but for the precious few you
should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and
lifestyle because the older you get, the more you need the people you
knew when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live
in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel.
Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will
philander, you too will get old, and when you do you’ll fantasize
that when you were young prices were reasonable, politicians were
noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund,
maybe you have a wealthy spouse; but you never know when either one
might run out.
Don’t mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will
look 85.
Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who
supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of
fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the
ugly parts and recycling it for more than
it’s worth.
But trust me on the sunscreen…

Baz Luhrmann

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Apressa a demorar

Demorar o tempo passado,
É perder-se no espaço truncado
Num fogo-fátuo, que é fogo
Apressa-te! É passado esse jogo.

Demora-te o bastante
Nada te impede de seres
Desculpa! Nada fazeres
Vá! Apressa-te o restante

Demora até à morte
Coisa macabra…
E da vida, a sorte
Apressa-te cabra!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sou mais rápido

“Sou mais rápido que uma bola”
Pingo em sorriso
Soberba saudade
Duma sábia infância
Fez, esta cândida frase.

Como aprendiz ávido
Em saber já sabido
Aprendo-me com inocência
Que mestre descuidado
Naturalmente comentou

Descobri de uma criança
Talvez ainda iletrada
Absurdo que fez sentido
Mais que muita razão
Oriunda do crescer

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ímpeto

É tempo de mudar, do passado enterrar. É tempo de destruir a vã esperança, é tempo de voltar a abraçar o abismo que é a vida. É tempo! Vem! Mergulha outra vez. Levanta âncora dessa ilha pois não te querem em terra. Navega outra vez que é a tua Natureza, coisa que fazes bem. Deixai as lágrimas e sorrisos para as memórias, de nada te servem agora. Novas emoções te esperam. Não ganhes limos, põe-nos na arca e esquece-os.
Tens um mar, um céu, infinitamente azuis… Liberdade, para ti, ó Homem do Leme.

Memórias moribundas

Parece que foi ontem
Que vi o sorriso apagado.
Um laço dado, quebrado
Com o fechar das portas.

Parece que foi ontem
Que concebi a semente
Herança pura de amor
Continuando a cruzada

Parece que foi ontem
Que tinha um pulsar
Boémio e vivaz
Ingénuo do futuro

Parece que foi ontem
Que me apaixonei cego
Caloiro no beijo e no coito
Num colorida chuva de flores

Parece que foi ontem
Que não havia amanha
O momento apenas
Mãe, brinquedo e amigo

Parece que foi ontem que nasci
Após oitenta anos, um só dia vivi
E dei-me conta que hoje morri

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pigmento

Amigos
Nós, dueto
Apenas e talvez…

Jovens alegres
Num grupo
De iguais

As intimidades
Experiencia boémia
Sem justas

Amigos de roupas,
Amantes de lençóis.

domingo, 26 de abril de 2009

20 & 5

Masturbação empírica
Pelo truncado saber
A Mão é satírica
Evita-se reconhecer

Tristeza é doença
Tomam-na em ofensa
Às suas fracas alegrias
Às lacrimosas regalias

Terra cinzenta
Sob Infinito sol
Em fixa tormenta.
Canta ó rouxinol!

Já não se pintam
Cravos de vermelho
Morto está o conselho
O punho de esperança

“Futuro é da criança”
O nosso já foi infância
Assim continua a herança:
Sorrir com confiança.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Nem bem nem mal
É o simples tempo
E amo-te, o que ficou
Nas memorias e espaço
Ficaste, um amor
Por pagar, mas é

Como um vazio
Presente. Preenchido
Com fé que podia,
Vaga e fantástica,
Ser alguém amado
Por quem se quer

Tempo, maldito
Tens que nos mutar?
Gravar na memória
Mudámos, mas ficaste
Uma tua minha imagem
Nos amuletos que deixaste
Recriam-te numa época inexistente
Por mão da tenção de não esquecer
À imaginação, musa, deidade jamais sumida

Foste assim? Ou é a voz da vontade?
Verdade é que os tempos mudaram
E com eles o mundo todo.

domingo, 15 de março de 2009

Piano

Leve, triste, suave. Lágrimas macias, numa verdura fátua, faz crescerem os caules das reminiscências.
Choro salgado, sem tristeza feliz, voa num continuo som do ar, sem se perceber… a fealdade daquele gesto, o belo da violência de amar. Permanece, deitado, sentado sob o vazio azul; com pequeninos gestos a saboreá-la, uma surda melodia enquanto, mais e mais emocionado se liberta do fogo efémero que corre por detrás dos olhos.
A vibração de cada átomo, não de si, mas do que imagina ser, reflecte na água corada com as notas memorizadas: leveza, suavidade, melancolia, paixão.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lua

Essa brancura,
Delicadeza e agudeza
Das feições o traço
Sempre sinuoso.
Porquê essa beleza?

Basta uma mão, folgada
Aconchega e aprecia
Não chega, porém
Pois é de ninguém
O brilho alvo

Sede do fantástico
Afecto impossível
Palidez láctea
Inalcançável na esfera
Dos deuses celestes

É como a geração
Livre e apartada
Cresce e acarinha-se
Como se fosse parte
Mas é trigo… e é ego.

Virgens aspirações

Pútrida, a minha
Língua de sangue
Da palavra rainha
Surda e muda mangue

As coisas são
E aspiro a mais
Incessantemente… não!
Serão elas imortais?

Monstro! Acreditas?
Na tríade familiar, ainda
Promessas insípidas
Muito passadas,
Mesmo imaginadas

Quer-se fiel,
Antes da ligação
Repugnância do prazer
Sem nada a reboque

Está certo! Sempre certo
Para mim. Casta
Vontade qualquer
(I)moral do sexo

domingo, 8 de março de 2009

Indigente

Insanidade, loucura
Actividade empírica
Incontrolável, na força
Prazer que se tem

Porquê o eu, ou o nós
Nada existe ou o deixa
Quer-se mais que tudo
Ilogicamente vêm-se

Múltiplos e triplicos
A vida é o momento
E no segundo, o orgasmo
Os fluidos se juntam
Na demência do ser

O berro desterro nasce
Esperem! Pensem antes
Só depois é que entendem
E choram e babam

Para se virem, afogarem
No pecado genital
Condenado a Deus
Pelo homem que o fez

Mentira, só digo mentira
As verdades estão a mentir
Assim como estou demente
Por orgasmos latejantes

O cheiro a esperma
Fluidos vaginais
Invadem a consciência
Tudo impregnam

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sem Nome

Que bom que é
Não ter por que chamar
Sem nome, identidade
Ninguém se é

É se nada, sem palavra
E porém, tudo se é
Por aquilo que se vale
A caricatura identifica

Esquecido da colecção
Existe-se para si
A natureza do ego
Encontra a verdade:
Quem é?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Amor… existes?
Num mundo complexo
És simples, ama-se.
Não há definição,
Ama-se o amor
Por coisa, alguém
Ou outra além.

É simples, como isto
Nunca houve tão certo.
Mas porquê, Amor?
De onde vens?
Tens resposta simples?
Nunca a houve, é-o apenas.

Amor, nada é fatal
Não preciso de beijos
Não preciso de carícias
Não preciso de paixões
Não preciso de erotismo
Para te sentir, ter e saborear.

De nada preciso
Antes do Amor.
O resto virá
Quando me amares.
Amor... Amor

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Visão

Acordado, a sonhar
A vista de um prado
Dourado de trigo
Naturalmente selvagem

Vi-me com ela
A repousar apenas
Delicado à sombra
Observo e saboreio
Todo o seu encanto
Curvas, silhueta
Fito apenas, como
O último momento

Aconchego o seu ser
Imperceptíveis beijos
No dourado do cabelo
No ouvido, pescoço
Ombros e maças do rosto
E… detive-me
Tão próximo dos lábios
Semiabertos a exalarem
Uma perfumada brisa

Sem ter a permissão
O deleite de estar
A um movimento
Do beijo, foi…
Eternamente adorado

Tanta (pouca) espera
Quando cedi ao pecado
Ao de leve acarinhei
Os meus com os seus
Ao que após, permaneci
Recostado a seu lado
Bebendo mais do visível

…Sonhei…

Dormi comigo
Um homem feito
Pelagem já de prata
A sorrir, deitado
De olhos fechados
Ouvi um clamor
Doce e meu querido
Sentado abri os braços

Um amplo abraço, para a criança
Vinha dançando com espigas
Cabelos ao vento, doiro,
Chegada aos meus braços
Elevei-a em meu torno
Risos agudos e graves ecoavam
Pai e filho brincam alegres
Num seu campo doiro
E bela mãe se lhes junta

domingo, 1 de fevereiro de 2009

(A)Deus

A chuva cai
Água apenas
Parecendo-me triste
Sou eu

Porquê? O cair
Não faz sentido
Já não acho o norte
Se é que houve

Porei um ponto
Basta um só
Fecharei a porta
Sempre cerrada

Direi adeus à ficção
A dama branca
Tormenta de meu órgão
Pensar que seria feliz

Agora, sem nada
Como sempre fui
Encaro a Vida
A minha doce vida

sábado, 31 de janeiro de 2009

Nostalgia

Um ano passou...
Com um amor ardente
Retorno à infância
Um ano de nostalgia

Ano de frustração,
De laços nascidos
Um ano de mudança
De pressão a leveza

Foi um florescer
Reabrir as páginas
Rescrever intensamente
O que já sabia

Um ano, só único…
Uma evolução
Já arrancada
Desta vez, detalhada
Para nunca ser
O que pensava que era

Ano de grande emoção
Este ano… o resfriar
Emocional
Razão desenfreada
Descontrolada
No inicio do novo ano

É aquela por quem
Prevalece, que dá
A mão, abre as cortinas
Para a sensação
De estar vivo
No momento
Não no tempo

Reforma-se e renova-se
O aprendiz e o mestre
Dois, a deixarem a Psiké
A louvarem a Vida
Amando a salvadora
Passivamente, até se esgotar

domingo, 18 de janeiro de 2009

Fantasia Final X-3

Nasceu pela Fantasia Final
Marcada na memória
Comum, fascinante sonhadora,
Do verde trio com um só olhar.

O sonho do regresso
Maravilhosas personagens
Complexa fantasia eterna
Onde se recriaram
Para o que são hoje

No caos criado,
Num mundo pacífico,
Uma história nasceu
Gravada nas pedras
Um mal, uma esperança,
Um amor, uma aventura,
Um mundo, uma vida.

Num mundo
Simplesmente chato
Mais irritante, ainda
Com errantes Mr. Police
A sombra negra
Abateu-se sobre Runescape
Apenas um escuro
Resmungão herói
Combateu bestas,
Ira, e a sombra
Finalmente livre

O tempo foi-se
Continua a ir-se
O sonho X-3
Apenas um sonho
Que três sonharam,
Cresceram e mudaram
Três personagens
Eternamente heróis.