domingo, 15 de março de 2009

Piano

Leve, triste, suave. Lágrimas macias, numa verdura fátua, faz crescerem os caules das reminiscências.
Choro salgado, sem tristeza feliz, voa num continuo som do ar, sem se perceber… a fealdade daquele gesto, o belo da violência de amar. Permanece, deitado, sentado sob o vazio azul; com pequeninos gestos a saboreá-la, uma surda melodia enquanto, mais e mais emocionado se liberta do fogo efémero que corre por detrás dos olhos.
A vibração de cada átomo, não de si, mas do que imagina ser, reflecte na água corada com as notas memorizadas: leveza, suavidade, melancolia, paixão.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lua

Essa brancura,
Delicadeza e agudeza
Das feições o traço
Sempre sinuoso.
Porquê essa beleza?

Basta uma mão, folgada
Aconchega e aprecia
Não chega, porém
Pois é de ninguém
O brilho alvo

Sede do fantástico
Afecto impossível
Palidez láctea
Inalcançável na esfera
Dos deuses celestes

É como a geração
Livre e apartada
Cresce e acarinha-se
Como se fosse parte
Mas é trigo… e é ego.

Virgens aspirações

Pútrida, a minha
Língua de sangue
Da palavra rainha
Surda e muda mangue

As coisas são
E aspiro a mais
Incessantemente… não!
Serão elas imortais?

Monstro! Acreditas?
Na tríade familiar, ainda
Promessas insípidas
Muito passadas,
Mesmo imaginadas

Quer-se fiel,
Antes da ligação
Repugnância do prazer
Sem nada a reboque

Está certo! Sempre certo
Para mim. Casta
Vontade qualquer
(I)moral do sexo

domingo, 8 de março de 2009

Indigente

Insanidade, loucura
Actividade empírica
Incontrolável, na força
Prazer que se tem

Porquê o eu, ou o nós
Nada existe ou o deixa
Quer-se mais que tudo
Ilogicamente vêm-se

Múltiplos e triplicos
A vida é o momento
E no segundo, o orgasmo
Os fluidos se juntam
Na demência do ser

O berro desterro nasce
Esperem! Pensem antes
Só depois é que entendem
E choram e babam

Para se virem, afogarem
No pecado genital
Condenado a Deus
Pelo homem que o fez

Mentira, só digo mentira
As verdades estão a mentir
Assim como estou demente
Por orgasmos latejantes

O cheiro a esperma
Fluidos vaginais
Invadem a consciência
Tudo impregnam