domingo, 25 de dezembro de 2011

Poema encontrado

Nesta fria madeira
o caminho faz-se lentamente
Deslumbra-se com cores fugidas
Num dia fugido e extraordinário
o ordinário é o cinza, com a sua
beleza também. Porém era azul
luminoso que cobriu o ordinário.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hoje confiei um desejo à minha caixinha dos desejos.

Na confiança vã e inconsciente pergunto-me: será de verdade?

Tenho a paradigmática ciência, a antiquada fé religiosa, as brilhantes estrelas, a novata física quântica, e o subjectivismo mundial. Corroboram-me e chacotam-me pela minha simples acção. Uma acção mais que infantil à espera do pai natal. Uma acção mais humana do que a humanidade orgulhosamente “contemporânea”.

Não acham que temos escolha? Escolha do balão de ar sem nenhum cordelinho.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Deslumbramento


É como a primeira vez que dás um beijo sentido
É como a primeira vez que tiras uma fotografia que gostas
É como a primeira vez que sentes o calor da relva debaixo dos teus pés
É como a primeira vez que provas chocolate preto e fazes uma careta
É como a primeira vez que ouves o vento uivar e pensas que são fantasmas
É como a primeira vez que vês a luz reflectida em gotas de chuva a formar o arco-íris
É como a primeira vez que cheiras orvalho num jardim ainda com neblina matinal
É como a primeira vez que andas os primeiros paços em extase com os gritos dos teus país
É como a primeira vez que tens o teu filho em teus braços rosadinho e encarquilhado
É como a primeira vez que abres os olhos para um mundo cheio de fantásticas formas e cores
É como a primeira vez que fechas uma porta e assustas-te com o estrondo que a madeira faz ao bater
É como a primeira vez que nasces para um mundo frio cheio de sons e ar fresco
É como a primeira vez que olhas ao espelho e estranhas a pessoa que te olha curiosa e desafiadoramente
É como a primeira vez que entras num automóvel e cheiras a gasolina, pele e estofo novo
É como a primeira ver que fazes amor com alguem que dizes ser para sempre
É como a primeira vez que vais à escola e fazes novos amigos
É como a primeira vez que estás acompanhado num grupo com os mesmos ideais
É como a primeira vez que pensas nos outros e roubas um pacote de arroz para caridade
É como a primeira vez que pertences ao todo que é o mundo
É como a primeira vez que sais de casa sem os teus pais saberem
É como a primeira vez que és amado por alguém desconhecido
É como a primeira vez que ficamos em primeiro

terça-feira, 8 de novembro de 2011

E talvez nem seja assim tão mau

Uma vida, uma existência apenas

Rumor de tudo ter seu grau

Ditado na razão ou divino mecenas.


E talvez nem tenha de ser assim.

Nem tudo tem de ter seu fim

Quando a fatalidade é certa cena,

Há causa para ter pena;


Nunca foi ensinado o que se sabe,

Talvez porque esses tiveram seu fim,

E a Verdade é de quem se gabe.

Que tem seu lugar, sim.


E talvez nem seja de todo:

Morrendo a ciência

Vê-se a sublime inexistência

Da explicável carência.


É completa de todo.

Uma douta vida do seu fim

Suspensa com tal fortuna

Da inteligência natural ser una.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Conselheiro

Por vezes Sinto a minha falta
Por um mais que amigo
Mais que irmão, mãe ou pai
Um segundo eu, sem dar nem tirar

Sinto mesmo a falta dele
Nas agonias pelo meu conselho
Da minha crua opinião, do meu sábio ombro
Pois ninguém me compreenderia melhor

Preciso dum par igual
Pois sozinho não sou
Aquilo que sou para mim

domingo, 3 de julho de 2011

Estive a trabalhar para não existir

Estive a trabalhar para não existir.


Numa terra que, é caótica,

Compreendo. Não preexistir

Algo vero ao alcance da óptica

Par quê então insistir?

Numa bélica semiótica

De certezas a colidir,


Estive a trabalhar para não existir.


Nem se sabe, como é fingir

Coisa na moderna retórica

Visto ser nato o esculpir

Duma íntima regra teórica

Que poucos hão-de sumir


Estive a trabalhar para não existir.


Asnada será? A descobrir

É lata a crença na auto-glória

Dever da subjectividade suprimir

Pensar na detenção da vitória

Salvação dos outros: ser Eu a corrigir.


Estive a trabalhar para não existir

Pois no fim irei diluir

Neste mundo que do irmão é fóbico.

sábado, 25 de junho de 2011

Carrossel

Uma ensurdecedora histeria

Sabia-lo que o vivia

Ritmos populares e agudos

E no entanto...


Uma segura calma

Silêncio interior

Sorrisos da mais pura

Alegria


Um velocidade estonteante

A querer roubar-me de solo seguro

Em torno de si mesmo, incrivelmente

Reconfortante...


O momento, perdurou

Velozmente estático

Com as manchas coloridas

E luminosos paraísos


De uma felicidade à muito perdida

domingo, 5 de junho de 2011

Sigo votando no impossível

Regime sem verdade

Futuramente plausível

Logo tentando a complexidade


Sigo mantendo castidade

Do interior desejo megafónico:

Pedir que haja mais que amizade

Crendo ser concretizável,


Sigo parecendo afónico

Recatando pranto salificável.

Ninguém, nem eu me ouço

Tornando-se até meloso


Tudo corre avessado

Arde brando, trespassado

Por ímpeto valoroso,

De nada me vale.


Sigo sonhando o possível,

Retendo a saudade,

De um sim sem pensar.

Pois... será verdade?


Haverá o dia de mudar.

Talvez, nem com isso me rale

Por princípio ou mais, sinceridade,

Sinto que sempre serás no meu peito.


Mas nada há para provar

E fere fundo acreditar

Na tua breve ganha notoriedade

Apenas memória do passado


Podia mais recitar

Ao meu teu preito

Mas nada há de mudar

Até ao dia em que aceito

domingo, 17 de abril de 2011

Não me deixam dormir,

Ninguém. É irresponsável

Deixar-se ir

Sofrer e sorrir

Com certos sonhos


Será assim tão vil

Entregar-me ao homem dos saquinhos de arreia

Ser aquilo que não sou

Esquecer-me do esquecimento

Embrenhar-me na certidão


Acordado sou eu, esquecido.

Nunca presente,

Esqueci-me

De mim

domingo, 20 de março de 2011

Porquê instante?

Não podes ser incessante?

Paixão é genuína no escuro,

Entre aqueles tímidos de a aceitar.

Vou amar e soidar e prezar

Cada momento, o mais seguro,

E depois acabo por dissipar.

sábado, 12 de março de 2011

O que sinto

É possível descrever?

Sintomas talvez

Deleita-me estar contigo

Até em silêncio

O mesmo do teu riso e impaciência,

Desculpa que já deves conhecer.

País de permanente fantasia

Em que habitas, tento por vezes

Sabê-lo como criança curiosa

E por vezes damos folias

Como grandes crianças que ainda somos


Não sei deveras que nome tem

Tudo isto e mais, que em mim se mostra por ti

Chamei-lhe prematuramente “gosto de ti”; desculpa

Há sim, parte que incita esse desejo

Quando a outra se interroga se será apenas pecaminio físico

Sendo uma intima relação amiga, e nada mais


Será atrevimento: sentires-te idêntica?

Algo em mim me diz. Se é sexto sentido ou fé nem sei

Queria era esclarecer e perdoares-me a comunicação

Creio na maior assertividade da escrita

Para o nevoeiro que não avisou da sua chegada

Nem quando a sua partida

sábado, 5 de março de 2011

Again Anew

Faz-me miúdo novamente

Tão familiar, quão estranho

A lição nunca é aprendida

E no entanto, encanto-me