domingo, 31 de outubro de 2010
Amante do Lago
Iludidos maiores
Víamos lugares queridos
Intimo e elementar
Cria só eterno
Nosso sítio,
Mapa apenas de coração
Mas sempre estavas lá
Em sombrio lago
Escuridão reconfortante
Para íntimos platónicos
Agora, carvalhos vazios rodeiam-no
Outrora pulsante, névoa inóspita
Ocupa recantos, antes recordados
Por dedicados apaixonados
Silenciados no abrupto vazio
Mágoa ausente, invade as memorias
Ateu crescente e consumido
Certo de querer crer, mas falhar
E com isto ele dilata
Para um futuro, agora
Mais cinza que a fantasia
domingo, 17 de outubro de 2010
Olhos que me matam para nunca mais ser o que viram. Em terras ermas um sorriso vil acrescenta-se à lagoa de suspiros e queixas que ingratos narizes expiraram para bocas desejosas de fofocas berrantes em disfarce a donzelas em obesidade mórbida, tuberculosas nas suas pernas.
Entre as mais diversas grades apresentando uma espontânea dor melancólica de livre prisão os olhos são portadas abertas para os recantos obscuramente maquiavélicos de todos os que afectem com tais fantasias idiotas que se contam a memórias moribundas no seu leito fadista no qual morreram os renascidos das fétidas cinzas da fénix de jade negra em putrefacção com carcaça e miolos em larva viva, tão viva que nada do que exista no cosmos seja tão grandioso como o vórtice que há em clara gaivota pairando em negro céu...
clara gaivota pairando em negro céu...
clara gaivota pairando em negro céu...
negro céu pairando em clara gaivota...
negro pairando clara gaivota em céu...
clara gaivota em negro céu...
gaivota pairando...
clara céu...
em negro...
Gaivota...
Céu...