Máximo... Alegoria
Da cama, declamante
Boémia e frugal do
Curto arrastar da vida
Vida essa, tal como
O incansável objecto
Da nossa estimada
Inseparável cama
Que de berço a casal
Nos deu, dá e dará
Tantos motivos:
Medos e prazeres
Doenças, segredos,
Choros, risos,
Noitadas, vómitos,
Mijo, esperma;
Sim,... isso e mais
A cama já teve
A cama, tal como a
Preciosa vida, é
Uma inutilidade.
Condenados
A fazer, desfazer
Fazer e desfazer
Vezes sem conta
Bem vistas as coisas
O problema é nulo:
Meter-se debaixo
Dos lençóis. Até
Têm-se prazer nisso
Mas...
Qual é o prazer
Em refazer os estragos
Depois do prazer
Do desfazer?
A cama... que nos
Acompanha à cova.
Pois vistas as coisas
O caixão é a cama final
Onde nos deitam
Para nunca mais a desfazermos