Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Fil l.ing


Podes estar mísera pera corpo celeste, mas
Sou obrado à tua altura, sem a devida importância.
Pera o berço e o desfecho do completo

Somos menos que poeira, cousa clara. E depois?
Moda era convocar trovões de noite em breu
Pera nobilitar meu sentido. Culpa débil espécie

À cifra humana. Acontecemos em iluminura,
Nem hercúleo ou liliputiano, como passar
Minhas incógnitas vísceras à tua influencia?

Apenas uma palavra em nada singular:
Amor, sem suficiência ou até precisão,
Pera disser ímpeto dissimuladamente animalesco

Ou pois certamente te estime por seres tu
Insignificante pera  cousas grandes.
Precisamente à minha escala.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Não percebo como é possível
Na merda da cidade viver
Com tantas cores por cheirar

(Não) percebo como destruo
Com esta lógica essa paz

Mas destruo

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Promessa

Quando o meu coração parar,
Vamos todos fazer uma festa.

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Poema encontrado

Nesta fria madeira
o caminho faz-se lentamente
Deslumbra-se com cores fugidas
Num dia fugido e extraordinário
o ordinário é o cinza, com a sua
beleza também. Porém era azul
luminoso que cobriu o ordinário.

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Hoje confiei um desejo à minha caixinha dos desejos.

Na confiança vã e inconsciente pergunto-me: será de verdade?

Tenho a paradigmática ciência, a antiquada fé religiosa, as brilhantes estrelas, a novata física quântica, e o subjectivismo mundial. Corroboram-me e chacotam-me pela minha simples acção. Uma acção mais que infantil à espera do pai natal. Uma acção mais humana do que a humanidade orgulhosamente “contemporânea”.

Não acham que temos escolha? Escolha do balão de ar sem nenhum cordelinho.

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Deslumbramento

É como a primeira vez que dás um beijo sentido

É como a primeira vez que tiras uma fotografia que gostas

É como a primeira vez que sentes o calor da relva debaixo dos teus pés

É como a primeira vez que provas chocolate preto e fazes uma careta

É como a primeira vês que ouves o vento uivar e pensas que são fantasmas

É como a primeira vez que vês a luz reflectida em gotas de chuva a formar o arco-íris

É como a primeira vez que cheiras orvalho num jardim ainda com neblina matinal

É como a primeira vez que andas os primeiros paços em extase com os gritos dos teus país

É como a primeira vez que tens o teu filho em teus braços rosadinho e encarquilhado

É como a primeira vez que abres os olhos para um mundo cheiro de fantásticas formas e cores

É como a primeira vez que fechas uma porta e assustas-te com o estrondo que a madeira faz ao bater

É como a primeira vez que nasces para um mundo frio cheio de sons e ar fresco

É como a primeira vez que olhas ao espelho e estranhas a pessoa que te olha curiosa e desafiadoramente

É como a primeira vez que entras num automóvel e cheiras a gasolina, pele e estofo novo

É como a primeira ver que fazes amor com alguem que dizes ser para sempre

É como a primeira vez que vais à escola e fazes novos amigos

É como a primeira vez que estás acompanhado num grupo com os mesmos ideais

É como a primeira vez que pensas nos outros e roubas um pacote de arroz para caridade

É como a primeira vez que pertences ao todo que é o mundo

É como a primeira vez que sais de casa sem os teus pais saberem

É como a primeira vez que és amado por alguém desconhecido

É como a primeira vez que ficamos em primeiro

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

E talvez nem seja assim tão mau

Uma vida, uma existência apenas

Rumor de tudo ter seu grau

Ditado na razão ou divino mecenas.


E talvez nem tenha de ser assim.

Nem tudo tem de ter seu fim

Quando a fatalidade é certa cena,

Há causa para ter pena;


Nunca foi ensinado o que se sabe,

Talvez porque esses tiveram seu fim,

E a Verdade é de quem se gabe.

Que tem seu lugar, sim.


E talvez nem seja de todo:

Morrendo a ciência

Vê-se a sublime inexistência

Da explicável carência.


É completa de todo.

Uma douta vida do seu fim

Suspensa com tal fortuna

Da inteligência natural ser una.