sábado, 28 de novembro de 2009

Foto Grafia

Ao ver-nos
Parvo sorridente
Com uns olhos verdes
Certa paixão
Que velhos seriamos

Ainda mal caminho
Certamente nem idade
Para promessas
E mesmo assim...

Necessidade de sentir
Mais do que coisas
Que aqueles que estão
Não se perderam
Ou então dar
Um inerente final feliz

Coisa simples
Novo ímpeto trouxe
Estou pronto
Ficar velho a teu lado

É egoísta
É infantil
É irresponsavel
Mas não é menos verdade

Neste segundo, minuto, hora
Sei o agora
Não antes nem depois
Quero-te para a vida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Voo

(Para uma espiga de trigo)

Lembraste? De me ver
De dois anos passados
Na tua companhia
Lembra isso.

O andar é teu
E a companhia sou eu
Ao virar paginas
Fechas a porta
E decides-te por outra

Continuas a mesma
Oito ou oitenta
Cresces e aprendes
Com as migalhas deixadas

No teu lado, sem lugar
É difícil não pensar
Coisas que deixam de ser
São vidas que as tomam

São as tuas vidas
No fundo, uma só
Causou-te dor
Prazer também

Mas assim foi
E se de outro modo
Os meus parabéns
Nada seriam.

Vivamos a vida então
Tal como assinado
Três julgamentos
E um só renascimento

Para algo que…
Serás tu a preencher
Por quem te acompanhar
Dois anos mais
(Espero ser)

Mais seria demais
Apenas que somos
E estamos agora
Almas dizem o resto

Dois pontos e fecha parêntesis.

sábado, 21 de novembro de 2009

Passagem

A estranheza é sempre uma constante
Quando visita-se os recantos do passado
E que tais, suspiros e sorrisos causados
Transparente antes, o mais opaco torna-se
O arrepio ou um rubro renasce
Diferente talvez, mas sem se pensar
É mesmo aquilo, nada mais

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SOL

Renascer, nascer
És ancião e contudo
Dou-te graças
Dos recém-nascidos,
Não apenas eu,
À sua maneira,
A tua prole também o dá
Grande fogo!
Teus filhos te saúdam
Após tempos gélidos
Sem a tua presença
Fazes a vida voltar
Tudo em redor explode
Cores, sexo e alegria
Após a triste e cinzenta melancolia
Nos tempos em que és verde,
O mundo também o é
Uma frescura e pudor vibrante
Própria dos infantes e apaixonados
Mas é efémero…
Mas é vida!
Quanto ela durar não importa
Tudo se vive para uma alegria
Pura e sem sentido
Vive-se numa constante orgia
Curta, mas simples de propósito.
Tua mulher, negra e querida
Para todos nós, é o palco
De todo este pudor
Com a tua penetrante luz
Num útero macio e fértil
Dás a vida, ainda novo
Oh Grande Ancião!