quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hoje confiei um desejo à minha caixinha dos desejos.

Na confiança vã e inconsciente pergunto-me: será de verdade?

Tenho a paradigmática ciência, a antiquada fé religiosa, as brilhantes estrelas, a novata física quântica, e o subjectivismo mundial. Corroboram-me e chacotam-me pela minha simples acção. Uma acção mais que infantil à espera do pai natal. Uma acção mais humana do que a humanidade orgulhosamente “contemporânea”.

Não acham que temos escolha? Escolha do balão de ar sem nenhum cordelinho.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Deslumbramento


É como a primeira vez que dás um beijo sentido
É como a primeira vez que tiras uma fotografia que gostas
É como a primeira vez que sentes o calor da relva debaixo dos teus pés
É como a primeira vez que provas chocolate preto e fazes uma careta
É como a primeira vez que ouves o vento uivar e pensas que são fantasmas
É como a primeira vez que vês a luz reflectida em gotas de chuva a formar o arco-íris
É como a primeira vez que cheiras orvalho num jardim ainda com neblina matinal
É como a primeira vez que andas os primeiros paços em extase com os gritos dos teus país
É como a primeira vez que tens o teu filho em teus braços rosadinho e encarquilhado
É como a primeira vez que abres os olhos para um mundo cheio de fantásticas formas e cores
É como a primeira vez que fechas uma porta e assustas-te com o estrondo que a madeira faz ao bater
É como a primeira vez que nasces para um mundo frio cheio de sons e ar fresco
É como a primeira vez que olhas ao espelho e estranhas a pessoa que te olha curiosa e desafiadoramente
É como a primeira vez que entras num automóvel e cheiras a gasolina, pele e estofo novo
É como a primeira ver que fazes amor com alguem que dizes ser para sempre
É como a primeira vez que vais à escola e fazes novos amigos
É como a primeira vez que estás acompanhado num grupo com os mesmos ideais
É como a primeira vez que pensas nos outros e roubas um pacote de arroz para caridade
É como a primeira vez que pertences ao todo que é o mundo
É como a primeira vez que sais de casa sem os teus pais saberem
É como a primeira vez que és amado por alguém desconhecido
É como a primeira vez que ficamos em primeiro

terça-feira, 8 de novembro de 2011

E talvez nem seja assim tão mau

Uma vida, uma existência apenas

Rumor de tudo ter seu grau

Ditado na razão ou divino mecenas.


E talvez nem tenha de ser assim.

Nem tudo tem de ter seu fim

Quando a fatalidade é certa cena,

Há causa para ter pena;


Nunca foi ensinado o que se sabe,

Talvez porque esses tiveram seu fim,

E a Verdade é de quem se gabe.

Que tem seu lugar, sim.


E talvez nem seja de todo:

Morrendo a ciência

Vê-se a sublime inexistência

Da explicável carência.


É completa de todo.

Uma douta vida do seu fim

Suspensa com tal fortuna

Da inteligência natural ser una.