quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sonhos beijados

Nada há de mais belo

Nada neste mundo se assemelha

Nada do que possamos fazer

Assemelhar-se-á

À maravilhosa natureza do Beijo


O Beijo, como tudo que existe

Com o tempo

Se foi desgastando

Apagando o significado

A magia de não mais quer

Existir. Sem o paladar

Da rotina do beijo


Assim quero permanecer

Inocente ao ponto de sonhar

Com o sabor do Beijo

De me embriagar em

Sonhos beijados

Beijo nunca dado

Vi-te mascarada

Com cabelos negro

Pele macia

Sorriso jovial


Numa festa ao luar

Amigos com suas intrigas

Música e afins

Estranha e incógnita


Chamas-te por mim

Vim, abracei-te

Beijei-te, tão real

Tão sentido, tantas emoções


Retraíste-te

Ao princípio pensei

Mas só procuravas

Refugio aos amigos imaginários

Para me chegar a ti


Para te tornares real

Com cada beijo,

Cada carícia, ternura

Certo de ser mais autentico

Do que a própria realidade


No beijo que te ofereci

Tão vivido, intensamente

Guardaste os sentimentos

E eu guardarei os meus sonhos

Do beijo nunca dado

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Desde longo tempo

Que não me sentia assim

A transbordar de energia

Veemência que urgia por ser libertar


Um sensação de fulgor, potência

Apodera-se rejeitando toda a razão

Empurrando para o desconhecido

Para o perigo da experiência


Sim… uma explosão interior

Ordenando ao exterior por se igualar

Liberta-se um monstro privado

Sedento por ceifar loucuras


Foi assim, o meu monstro

A minha doidice podia de tudo

Até desafiar o sono eterno

Contudo os planos eram outros

Não sei quais…


Estive em busca de um alvo

Algo demente, selvagem

Nunca tivesse feito,

Que me viesse a arrepender


A noite ia avançando,

Amainando subtilmente o cão raivoso

Com correrias, gritos e bebida

Sem sucesso;

Ficava mais e mais desesperado


O Cão de três cabeças

Digeria-me lentamente

Dolorosamente, se não agisse

Se não fizesse uma Loucura!


Mas… a verdade é que

A noite ainda era uma criança

Tive de me afundar na minha cadeira

A escrever para Ninguém

Enquanto esperei que o monstro

Se satisfizesse com o que restava de mim

Contos de Fadas

Porque será?

O ódio uma coisa natural?

Afinal, não é do gosto de todos,

Ser amado por todos?


Entristece-me ver que

Na demanda por uma donzela

Para ocupar meu coração

Todas aquelas a que me cruzei

Havia ódio entre elas

Intriga, mal dizer, traições


Digam-me se estou enganado

Parece-me que sou eu

Anormal e estúpido

Por não nutrir ódio,

Sede de traição, de confusão

Apenas querer viver e

Deixar viver


Quiçá, viva num conto de fadas

Onde as belas e joviais donzelas

São puras, simples e delicadas

Não sendo inato nelas

A sede de caos, crueldade


(suspiro) … seria bom.

Uma dor de cabeça

Não ter por quem amar

Mas amar não se sabe o quê


As carícias, as ternuras e os beijos

Atiro-os para o nada

Na esperança de aquele ser amado

Se revele, tire o véu de obscuridade

Que paira sobre Ela


Por quê?

Incapacidade de me aproximar

De me apaixonar novamente

Em vez de estar perdido de amores por…

Ar


Mas realmente estarei?

Não será mais uma birra

Uma espera utópica

Por um ideal, um Amor Único


O cansaço aperta-me a razão

Pouco sentido me faz

As ideias ocas de conteúdo

Lá está, o Ar amado


O Ar, que melhor bebida espirituosa

Ganhado a Sua forma em sonhos

Tormentos, demências e delírios

Que nada mais é

Do que Ar


…meu doce Ar…

Tão distante,

Lágrimas mudas

Choro vendado

Grito censurado


Martirizo-me, demente

Por cheiro inodoro;

Pele irreal;

Visão cega;

Palavras surdas;

Beijo insípido;


Um sorriso fraco

Desenha-se nos lábios

Cada vez que presencio

Corpo, gesto, aroma, olhar

Puro, simples, inocente e feminino

Ao lembrar-me Dela


E depois…

Volta tudo a ser

Como dantes…

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Carecendo de alguém

Alguma vida física

Anseio por tua companhia


Vejo-te em tuas criações

Sinto-te tão perto

Contudo, inalcançável


Frustração apodera-se

Quando belezas passam

Quando embriago-me

Nos óleos dos seus cabelos

No puro caminhar, observo-te

Sabendo que não és,

Continuo a ter prazer

Com tantos defeitos e qualidades

Da tua descendência


Um prazer simples,

Passivo, inato e silencioso

Um prazer despertado por ti

Nos corpos de tantos seres


… é cruel isso,

Não te poder tocar em pessoa

Incapacidade de abraçar, de segurar

Tuas mãos, teu rosto, teu ser…


Talvez seja isso

Insanidade, desespero,

A altividade, a neutralidade,

Harmonia a origem

Grande transtorno


Miserável, insignificante

Defeituoso me sinto aos teus pés

Eu! Quem mais te quer! Abraçar

Chorar em teu colo,

Acariciar teu belo corpo

Voltar para teu Seio

Ser criança outra vez

Para amar de verdade


…basta, peço-me.

Pára rogo-me,

Chega! Imploro-me…

Com minha alucinação

Loucura! Depressão!

Levai-me vós!

Vivo ou morto