Desde longo tempo
Que não me sentia assim
A transbordar de energia
Veemência que urgia por ser libertar
Um sensação de fulgor, potência
Apodera-se rejeitando toda a razão
Empurrando para o desconhecido
Para o perigo da experiência
Sim… uma explosão interior
Ordenando ao exterior por se igualar
Liberta-se um monstro privado
Sedento por ceifar loucuras
Foi assim, o meu monstro
A minha doidice podia de tudo
Até desafiar o sono eterno
Contudo os planos eram outros
Não sei quais…
Estive em busca de um alvo
Algo demente, selvagem
Nunca tivesse feito,
Que me viesse a arrepender
A noite ia avançando,
Amainando subtilmente o cão raivoso
Com correrias, gritos e bebida
Sem sucesso;
Ficava mais e mais desesperado
O Cão de três cabeças
Digeria-me lentamente
Dolorosamente, se não agisse
Se não fizesse uma Loucura!
Mas… a verdade é que
A noite ainda era uma criança
Tive de me afundar na minha cadeira
A escrever para Ninguém
Enquanto esperei que o monstro
Se satisfizesse com o que restava de mim