quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Dama Branca

Quem sois vós?

Oh, beleza cruel

Que me enfeitiças…

Com incandescentes cabelos


De onde vindes?

Para possuirdes tal maldição

Na minha pessoa

E nos demais.


Qual o segredo

Escondido em vossos olhos

Talvez estrelas que abraçastes?

Porque não falais?

Será essa a condição

Para divina beleza?


Pobre e verme serei,

Que caí na desgraça

De me maravilhar

Com tal exuberância

Pura… Sagrada…


Em vossos olhos

Minha alma exilou-se

Junto de mil e um astros

De mil e uma noites


Assim permaneço

Insano por dentro

Insatisfeito por fora

…Constantemente


Quem será a musa

Que me salva

Desta ilusão

Que eu próprio criei?


Serei pois eterno fantoche

Da minha razão

Se a profecia acabar

Por se esmorecer…

Noite de Lua Crescente

Foi uma noite de lua enchente
Em que chegou atrasada (fui condolente).
Foi um serão luminoso
Com estoiros, cores, e chuvas de bronze.

No céu nebuloso,
Olhando as ascendentes Martes
Ouvindo o povo nortenho,
Sentindo um estremenho,
Cheirando a pólvora dos fogetes,
Tendo o hálito a sardinha,
Na minha pobre alminha.

Recordei o tempo ruim.
Encostou-se ao pé de mim,
Reconfortando-me,
Apoiando-me.
Que bem que senti.

Íamos embora da cena.
Connosco mais uma centena
Por pouco não ficámos sumidos
Com marteladas para cá
E alhos porros (ou franceses) para lá,
Fingimos de casal
Para sairmos daquele festim solstícial

Chegando ao destino
Sem destino, Comecei.
Seguindo-a, como um simplório
Seguiria o divino.
Estava no seu território

Estive de visita apenas
Aos incontáveis segredos,
Magias e Arvoredos
Seguindo o caminho sem retorno
Com ela a guiar numa via
Sem desvios. Parámos
Na estação do seu harém.

Ficámos…
Ai sentados sob o frio
E imaculado Granito
Enquanto, doce e inocente,
Brincava com tímidas fadas:
Elementos da Mãe suprema

…para a Eternidade
Do espectro esvoaçante,
Abençoados com místico olhar.
Iluminados pela memoria
De dúzias de pirilampos
Falámos por sonhos

No final (se é que houve)
Com tal monumentalidade
Fiquei aparvalhado
Sabendo e sentindo só.
Tinha uma amiga
A qual nem o nome sabia.
Que importa?!

Quando na vinda
Vemos uma Marte
Caída já sem vida
A suplicar por um novo sentido
Para a sua existência.

Mas…
Nunca abandonei o momento;
Desde então, tem ficado
A memoria de mim
Naquele refugio inóspito
Onde a sua guardiã repousa.
Enamora-se e dança
Sob o olhar místico
Do seu companheiro espectral.

Numa noite de lua crescente…

Que utilidade tenho?

Que utilidade tenho
Se pensar nem sou capaz?
Qual a minha função
Senão embriagar com os gostos.
E desgostos? É capaz…

Para quê? Perda tempo.
Que é tempo afinal?
Será velhice? Não pode!
Velhice só no Homem
Quererá isto dizer que…
O mundo está parado?

Dizem (por ai) que, se escrevo isto,
Devido, foi, aos factos passados.
Como? Não me lembro de ter pensado antes

Curioso é todo o ser humano:
Faz promessas,
Quebra-as.
Diz amo-te,
Diz odeio-te.
Fazem de mim sua escrava,
Escorraçam-me,
Matam-me,
E dizem “Minha Mãezinha”

Deveras; a lata deles,
É um exemplo para todos:
Mãe + Carinho = Filho x fode-la
É tudo matemático! Não há nada que saber
Nem nada para aprender

Mas que estou a fazer
Se nem sou eu que estou a escrever
É mais um de entre vós
Que teve a lata de me pôr voz.

Mas talvez seja melhor assim.
Fico na ignorância de não saber pensar.
(Mas pelo menos sei Viver)

Aério

Penso...

Penso que pensei

Penso que pensava

Pensei que pensava


Penso as palavras

Penso o que escrevo

Penso o que vejo

Penso o que sinto


Penso no pensamento

Penso nos que pensaram

Penso nos que pensam

Penso nos que pensarão


Penso no Mundo

Penso no Homem

Penso no bem

Penso no mal


Penso na Vida

Penso na Morte

Penso em tudo

Penso em nada

Penso em mim

Penso...


Por fim...

Peco-vos Para Pensarem

Nos meus Pensamentos

Que pensaram que leram